domingo, 24 de fevereiro de 2013

Capítulo 1

Encostada numa árvore. Respirando a brisa leve. O vento alisava meus cabelos enquanto eu, brincava com a minha cachorrinha, Sally. Ela era minha. Só minha.
- Sally, pega! - Gritei, tirando um graveto do chão, e desencostando da árvore, me preparando para jogar o graveto. Joguei longe, ela saiu como um rojão atrás do graveto, que eu perdi de vista.
Como aquele lugar me fazia bem.
Foi quando escutei um grito abafado de minha mãe.
- Safira! Venha jantar! Já está ficando tarde!
Peguei a Sally no colo, e fui. Deixei-a dentro de sua casinha, entrei em casa e tirei as botas. Ficando só de meias.
- Safira, onde você estava? - Minha mãe falou, brava.
- Estava no quintal mãe... - Olhei para baixo, encarando os tacos sujos do chão da copa.
- Olhe para mim. E agora, fale a verdade Safira. - Ela subiu meu queixo.
Desviei o olhar, e segui em frente.
- O que tem de jantar? - Disse, sem olhar para ela, subindo as escadas.
- Filha, eu não estou de brincadeira. Já não te disse para não voltar naquele lugar? - Ela mudou de assunto, tirando um filé de dentro do forno.
- Mãe, é o único lugar onde eu tenho privacidade. Onde eu posso viver, onde eu posso respirar ar puro, onde eu posso brincar com a Sally, onde eu posso fazer tudo que eu queira. Você não pode me proibir assim de entrar lá! - Eu disse, muito brava quase gritando.
- Teremos macarrão. Agora tire as meias, chame seu irmão, e venha comer. - Ela disse, séria, servindo-se de macarrão com queijo.
Subi as escadas, brava. Ela estava me tirando a vida! Aquele era o meu lugar. Ela estaria muito errada se pensasse que podia tira-lo de mim.
Eu abri a porta com força.- Paulo, o jantar. - Falei séria.
- O que houve, maninha? - Ele virou-se na cadeira de rodinhas. - É a mamãe de novo?
- Não é da sua conta. Agora, desce porque o jantar está na mesa. - Me virei, e quando fui descer as escadas, ele gritou.
- Espere, Safira!
- O que foi Paulo? - Eu virei com esperança de que algo útil fosse acontecer.
- O que tem de jantar? - Ele disse caçoando da minha cara.
Eu me virei, e desci, ignorando completamente as risadas pesadas, e sólidas que ele insistia em dar.
Quando finalmente cheguei lá em baixo, a campainha. Era meu pai. Sorri, e corri para atender a porta.
- Pai! - Gritei animada. Ele era o único que me fazia feliz.
- Olá menina olhos se Safira. - Ele disse, apertando minhas bochechas. É claro que Safira, não é um nome normal. Meu nome seria Rebecca, mas quando nasci, a cor dos meus olhos era azul Safira, então meus pais fizeram uma mudança de planos.
Eu abraçei-o forte.
- Papai! Finalmente você chegou.
- Rogério, venha cá. - Minha mãe disse séria.
- O que foi dessa vez, Marianna? - Meu pai perguntou.
- Sua filha! Se infiltrou naquela floresta suja, e perigosa novamente. - Ela disse, levantando-se.
- Vamos conversar. - Meu pai pegou pelo meu braço e subimos as escadas. Quando chegamos no andar de cima, entramos no quarto de Paulo, fechamos a porta, e meu pai caiu na gargalhada, como sempre.
- Filha! Eu não te disse para ser mais esperta! Vá lá, mas não deixe sua mãe perceber!
- Eu tentei! - Disse rindo, levantando as sobrancelhas.
- Que gargalhada toda é essa aqui? - Minha mãe abriu a porta do quarto de Paulo, e nos pegou rindo dela.

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